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Sebastião Salgado e sua veia antropológica

Fui ao cinema ver O Sal da Terra porque sou muito fã do fotógrafo Sebastião Salgado. Tenho vários livros, já fui a algumas exposicoes, enfim... Fui em busca de sua história contada em fotos e encontrei um filme que a conta de maneira documental e contextual, fazendo o espectador entender as motivações do artista e sentir um pouquinho o que ele experimentou em cada projeto. A direção do filme teve o mérito de não deixar que a película falasse mais alto do que as delicadas imagens que apareciam para contar cada etapa de sua vida. Mas na verdade o que me surpreendeu de fato foi ter percebido que Salgado é sobretudo um antropólogo, embora ele mesmo tenha negado em entrevista à National Geographic (2013) dizendo "- Já disseram que faço um trabalho antropológico. Não é verdade. Fotógrafo as coisas que acho belas. E as que me revoltam." Cada projeto se inicia com uma grande pesquisa bibliográfica, onde busca conhecer a história e os hábitos de cada povo e região que vai visitar...

Etnógrafo: um talento nato

Depois de iniciar disciplinas no instituto de Geociencias da Unicamp e começar a traçar meu projeto de pesquisa de doutorado, devo dizer que antropologia é um talento nato. Sem dúvida isso vale para outras profissões, mas para uma boa pesquisa etnográfica é preciso muito mais do que um conhecimento bibliográfico sobre as linhas dos diferentes autores assim como não dá pra se restringir ao entendimento da técnica. O etnógrafo precisa ter o olhar curioso, atento e sobretudo isento . Venho do design e da ergonomia onde a observação é o método mais fundamental de todos. Não muito distante da etnografia, a observação é um método feito in loco, no contexto de dada situação, de preferência sem a intervenção do pesquisador - apenas registros. Dela surgem derivações com aplicação de questionários semi-estruturados, acompanhamento com Think aloud, roteiros, etc. Mas o princípio do observador isento já está lá.  A etnografia vai muito além da observação: pressupõe o envolvimento do pe...

As circunstancias que nos impelem

Uma das questões mais importantes para a experiência do usuário é o contexto: o que nos faz agir ou paralisar, curtir ou fugir, avançar ou parar... Só que, como se vê, o contexto não é único. Podemos de forma geral avaliar os seguintes: emocional, o estado em que a pessoa se encontra no momento da interação  (doença, perda, falência ou promoção, maternidade, férias...); da urgência em que ela se encontra para buscar ou lidar com o assunto (prazo esgotado, pouco tempo de conexão, ou tempo livre e ocioso para tal); do ambiente (barulhento, tumultuado, tranquilo); do assunto/tema que ela está lidando (governo, fiscal, financeiro, jurídico, diversão/entretenimento etc.); tecnológico - a estrutura de hardware e software que a pessoa possui contra a estrutura que o sistema exige (plugins, versões especificas de browser ou sistema operacional etc.); da interface (é amigável, responsivo, acessível); E talvez ainda outros específicos para sistemas idem. É impossível entender o com...

Muitas empresas estão correndo atrás...

Buscando alcançar o acelerado ritmo de mudanças e novidades tecnológicas, os departamentos de inovação seguem tendo muito trabalho. Muitas reuniões, pesquisas com concorrentes, informações sobre percentuais de venda, pesquisas de tendências, de produtos e, às vezes, pesquisas com consumidores, usuários, pessoas. Sabe-se que hoje, globalmente falando, apenas 4% dos gastos em iniciativas inovadoras resultam em casos de sucesso. Os outros 96% são dinheiro jogado fora... Investimento, vamos chamar assim. E da fato o é porque as pesquisas geram conhecimento que geram novas iniciativas e algumas certamente darão certo. Interessante talvez fosse ressaltar os percentuais relativos a inovação incremental e desruptiva ou radical – imagino que essa desproporção se dê no campo da última. E a bem da verdade é que para muitas empresas – e no atual contexto de consumo mundial – a inovação incremental já garante estabilidade em fatias de mercado ou o aumento de participação em outras...

Design Thinking em questão

Motivada por uma grande profusão de comentários por aí e de empresas que oferecem "design thinking" como mais um produto de sua prateleira, resolvi me pronunciar um pouco sobre o assunto. Design thinking, pra quem não sabe, é, literalmente, o pensar do design levado para cadeiras ou profissionais de marketing, administração e gestão. Mas acabou se tornando uma "disciplina" e um processo ao passo que Tim Brown assim a lançou, com metodologia e tudo, em seu livro com este nome. Só que não há novidade quando se entende o processo. Para quem leu o livro em português e não pescou ou em inglês e desconhece o termo, aqui vai uma explicação: "human factors" é um outro nome para a disciplina Ergonomia, principalmente assim chamada nos Estados Unidos. E "fatores humanos", como foi traduzido aqui, não é apenas uma expressão no texto, mas uma referencia a essa disciplina que estuda o comportamento humano durante a interação com um produto, serviço ou em ...

O Globo: porque não comentar?

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Esperei uma semana para ver se o novo projeto gráfico do jornal ia se sustentar. O que a princípio se pareceu complicado de manter, se mostrou consistente e efetivo. Com manchas gráficas muito arejadas e grids bastante variadas – com possibilidades de 2, 4, 5 e 6 colunas – inclusão de olhos, imagens contornadas pelo texto e tabelas ocupando larguras variadas, confesso que temi por duas possibilidades: a padronização em 2 ou três versões, frente ao tempo diário escasso para o fechamento, ou o caos. O que se vê é cada vez mais um conteúdo muito bem apresentado, fácil e rápido de entender do que se trata e muito melhor de ler – com excessão da fina fonte em caixa-alta utilizada em alguns olhos. Linda! Mas de bem difícil leitura. O que se nota é a preocupação de construção que chamo de “bottom-up”, o que deveria ser óbvio para todo e qualquer peça (ou veículo) que tenha no conteúdo sua força. Os efeitos e firulas se entram é porque tem uma finalidade. Talvez as retrancas e ...

Responsive web design

Nada de sites com versões para iPhone, blackberry, android, iPad. "Melhor visualizado em x.dpi" então, nem pensar! A onda do momento é o Responsive web design, ou como já foi citado por aqui , webdesign responsivo - em vez de sensível ou adaptável, que pra mim faria mais sentido. Significa que todo site deve ser pensado para funcionar em qualquer plataforma de acesso a internet. E funcionar no sentido da experiência: botões, ícones, imagens, formato, textos, tudo deve ser adaptável ao tamanho do dispositivo bem como as suas restrições de uso, como toque por dedo em vez do cursor, mudança de orientação, limitação de visualização etc. Isso de fato sempre deveria ter sido o esforço do design de sistemas interativos. Só que antes a preocupação era apenas com a resolução de tela e tipo de navegador. O grande desafio continua sendo o porque de cada coisa. O Flash, há tempos atras, trouxe excelentes recursos de animação e interação até então inviáveis (principalmente por conta...